Pode parecer estranho começar um blog com um post intitulado “a morte”. De fato é, e isso se dá em função da morte do humorista Chico Anysio. O objetivo aqui não é fazer uma homenagem ou falar sobre um dos maiores, senão o maior humorista brasileiro. A intenção é chamar atenção para o que, exatamente, a morte representa, pelo menos pra mim.

A primeira lembrança que tenho do Chico Anysio é assistir aos seus programas na companhia de meus avós maternos e da moça que trabalhou na casa deles e se tornou parte integrante da nossa família. Passei muitos dos dias de minha infância na casa de Américo, Dora e Bina.

A Escolinha do Professor Raimundo era programa obrigatório nas nossas tardes, no Grajaú, Rio de Janeiro. Meu avô, desde sempre fã de piadinhas e programas de humor, idolatrava o mestre que dizia “e o salário ó”. Volta e meia pedia pra que eu ou minhas irmãs fossemos à cozinha pegar um café pra acompanhar seu cigarro. Ele dizia: “vai lá, é vapt-vupt”, bordão também utilizado pelo personagem de Chico, ao falar sobre os intervalos.

A morte de Chico Anysio traz exatamente essa lembrança, a de que essas tardes nunca voltarão. Sempre que uma famoso morre, esse é o tipo de lembrança que tenho, dos momentos que passei com pessoas queridas e que já não estão mais entre nós.